7 minutos (Comitê da Fábrica)
7 minutos (Comitê da Fábrica)
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O que estamos dispostos a aceitar para manter nossos empregos?<p> "Queremos ser livres, mas temos medo da liberdade."<br> Escolher e decidir são, ao mesmo tempo, uma obrigação e uma liberdade.<br> Stefano Massini</p><p> Dez mulheres do comitê da fábrica Picard & Roche aguardam a décima primeira, sua porta-voz, que vem negociando o futuro delas com os novos proprietários há quatro horas. Quando ela retornar, elas votarão em nome dos duzentos trabalhadores, homens e mulheres, que representam. A proposta dos chefes, engravatados e de terno e gravata, é simples: se os trabalhadores da Picard & Roche concordarem em reduzir o horário de almoço em apenas sete minutos, a fábrica não fechará e todos os empregos serão preservados.</p><p> Um thriller social se desenrola, provocando uma reflexão dupla sobre o valor de mercado do trabalho e a crescente conscientização dos mecanismos de dominação patronal. A proposta dos novos proprietários, embora aparentemente honrosa, força essas mulheres a fazerem uma escolha crucial: salvar a fábrica, suas colegas e a si mesmas. A euforia inicial da boa notícia (a fábrica não vai fechar) dá lugar a um debate onde cada mulher se posiciona com base em sua personalidade, antiguidade, necessidades familiares ou pessoais e preocupação com o bem coletivo.</p><p> O que estamos dispostos a aceitar para manter nossos empregos?</p><p> É Blanche, a porta-voz do comitê da fábrica, quem levanta a questão. Cabe aos outros, por meio de votação, responder. E ao público formar sua própria opinião. Um pedido simples, quase inócuo, um "passo" em direção à gerência, ao abrir mão de menos da metade do intervalo, apenas sete minutos. E apenas uma hora para os duzentos funcionários da fábrica decidirem. Um ultimato.</p><p> A envolvente peça de Stefano Massini nos imerge em tempo real nas tensas etapas de uma jornada crucial. Uma partitura coral sobre o caminho de cada personagem em direção a um pensamento compartilhado, ela nos leva a refletir sobre a dificuldade da ação coletiva, sobre o que significa escolher, concordar, convencer uns aos outros, acreditar na palavra do outro.<br><br> Essas mulheres têm idades e origens diversas, estão em diferentes fases da vida; cada uma aborda a situação à sua maneira. É uma peça sobre limites, sobre nossa capacidade de chegar a um consenso. A peça oferece teatro político, mas não teatro militante. Porque um comitê de fábrica não é um sindicato. A questão central aqui não é a luta em si, mas a jornada de escolher se devemos ou não nos envolver nela.</p><p> Esse processo de pensamento, que passa pela cabeça de cada uma das onze operárias e funcionárias da Picard & Roche em apenas uma hora, concentra na tensão que cria tudo o que precisa ser renunciado para que se possa avançar em conjunto: primeiro, renunciar ao que é dado como certo e concordar em fazer um esforço para impedir o fechamento da fábrica. Até que ponto elas estão dispostas a ceder?<br><br> A estrutura dramática deste drama de portas fechadas permite-nos acompanhar um processo de pensamento em movimento ao longo de um determinado período de tempo. Blanche, que representou este pequeno grupo durante as longas negociações com os novos proprietários da fábrica, encoraja os seus colegas a dedicarem um tempo a refletir sobre o significado desta pausa, aparentemente insignificante em comparação com os empregos salvos.</p><p> É "um luxo ou um direito?", ela pergunta. Esses sete minutos cristalizam uma relação mais ampla com o tempo, levando-nos a refletir sobre o que é e o que não é essencial. Ela também afirma que essa mesma noção de tempo sempre favorece os empregadores, que têm os meios para esperar e aumentar a pressão. É também uma guerra de desgaste, que conta com o desânimo das trabalhadoras e a erosão do seu comprometimento.</p><p> Olivier Mellor</p>
